O percurso espiritual de Jeanne Emilie

 

Uma vida doada aos outros...

 

 

Jeanne Emilie de Villeneuve nasceu em Toulouse no dia 9 de março de 1811 e faleceu em Castres no dia 2 de outubro de 1854. Desde a mais tenra idade viveu no castelo de Hauterive, perto de Castres, onde sua mãe, doente, se retirou para tratar-se. Aos 14 anos perde sua mãe e, três anos depois, sua irmã Octavie, em 1818.

 

Após a morte da mãe, viveu algum tempo em Toulouse, onde sua avó tinha assumido sua educação e a de seus irmãos. Aos 19 anos, Jeanne Emilie volta à Hauterive, onde administra a vida familiar, ajudando seu pai, então prefeito de Castres (de 1826 a 1830). Ela pensa entrar com as “Filhas da Caridade”. Mas, durante o prazo de reflexão decidido com seu pai, ela funda, com o consentimento de seu bispo, e com duas companheiras, a Congregação de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, no dia 8 de dezembro de 1836 com uma comunidade religiosa, rapidamente conhecida sob o nome de “Irmãs Azuis de Castres”, por causa da cor de seu hábito.

 

No anonimato de uma casa de Castres, ela atende, com a ajuda de suas companheiras, os mais desfavorecidos; jovens operárias, doentes, prostitutas, os condenados à prisão. A Congregação vê crescer o número de suas irmãs e sua expansão se estende à África: Senegal, Gambia, Gabão.

 

A Congregação tinha apenas 12 anos e contava somente com uns quarenta  membros quando o apelo para a África soou no coração da Emilia. Na verdade, é em 1847 que Emilie amadureceu o projeto de enviar Irmãs ao Senegal. Em 1848, depois de uma curta estadia em Gorée, a primeira Comunidade com  4 Irmãs, se instalará em Dakar. A partir de 1849 a missão se estenderá em Gâmbia e depois até o Gabão. Uma só preocupação, somente uma ambição no coração de Emilie e das valentes missionárias: "Ir sem hesitação lá onde a voz dos pobres nos chama." Muito rapidamente esta mesma voz será ouvida na América Latina. Hoje, a Congregação, habitada pelo mesmo dinamismo, continua a responder com o mesmo entusiasmo e generosidade a esta voz que a chama a alargar a sua missão através de quatro continentes. As irmãs, fiéis à intuição originária de Emilie, como discípulas de Jesus Salvador, alimentam um só desejo: Anunciar o Evangelho e promover a vida, a paz e a justiça através do seu compromisso missionário

 

Em 1853 Jeanne Emilie de Villeneuve se demite de seu cargo de Superiora Geral e foi substituída pela Irmã Héléne Delmas. Em 1854 a epidemia de cólera atinge Castres e a fundadora das Irmãs Azuis morre no dia 2 de outubro, rodeada por suas irmãs. O cólera

aumentava na região de Castres e já havia um grande número de mortes. Emilie de Villeneuve foi em peregrinação a Ste Germaine de Pibrac, perto de Toulouse. Em sua oração, ela pediu a Ste Germaine de interceder para que mal que fazia tanta devastação cessasse, chegando até a oferecer-se como vítima a Deus nessa intenção. Seu sacrifício foi aceito por Deus, o mal regrediu, não se notou mais casos de morte depois do de Emilie.